quarta-feira, 5 de maio de 2010

Bibelô

Há um tempo tinha visto na prateleira da vitrine um bibelô. Mas aquela rua logo tornou-se distante de sua caminhada e a velha loja por muitas luas ficou esquecida.

Eis que então as folhas começaram a nascer nas árvores e, com elas, o vento passou a ser como baquetas de um xilofone de jacarandá. Os sentidos foram, como de costume, mais uma vez invertidos e a rua, de novo, fez parte do mapa.

Todos os dias, quando passava, aquele objeto de tamanha comunhão de feiúra e delicadeza tomava alguns minutos de sua atenção e aquilo claramente não tinha nexo algum. Suas cores fracas criavam raízes na rudeza de sua base e a alegria da fisionomia iluminava um mundo inteiro.

Foram tantos os ensaios, foram tantas as vezes que entrou e apontou para outra coisa qualquer exposta naquela vitrine, tudo sob o pretexto de ficar perto daquele curioso bibelô.

Um dia, com a determinação de uma estrela de cinema, tateou a prateleira para finalmente tomar para si o que tanto havia desejado. Como num drama, não estava mais lá.

O silêncio até a casa só foi quebrado pelos suspiros de melancolia, o arrependimento da espera borbulhava em seu sangue. E o céu naquela noite foi escuro e o sono sem sonhos.

Dias depois, uma caixinha e uma perfumada flor amarela jaziam em sua porta. Com elas, um bilhete: "indescritível, como você".

O bibelô então voltou para a caixa e lá ficou para sempre, trancado no armário.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Happy Star Wars Day!

Como vocês sabem (ou não), hoje, 4 de maio, é comemorado o Star Wars Day pelo simples fato da sonoridade da data, em inglês, ser um tremendo trocadilho infame com a célebre frase "may the Force be with you" (que a força esteja com você).

Já que o dia é propício para a nerdisse de nós, fãs, fica aqui a sugestão do "presente" que a Lucasfilm desenvolveu para a comemoração dos 30 anos de "O Império Contra Ataca": Star Wars Starring You.

Abaixo, o meu filminho tosco como princesa Léia Organa:



May the Fourth be with you! :)

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Satisfação

Queridos leitores deste humilde blog,
Gostaria de informa-los que este abandono é temporário. Estou em um período super conturbado, de muitas mudanças(e por isso eu realmente não estou conseguindo atualizar aqui, apesar de não faltarem idéias e coisas legais para mostrar para vocês. Desculpem aos que gostam do meu blábláblá, no final do ano prometo que serão devidamente recompensados. :)
Beijos,
Gabi

Ah, aproveito para deixar um videozinho meu. Foi gravado num celular, numa sala que reverbera horrores, mas espero que gostem.


terça-feira, 3 de novembro de 2009

Badalados Inglórios

Reprodução da postagem do Bêbado Gonzo. Aos amiguinhos adeptos ao mundo da ecstasy dos sinos da Basílica de Nossa Senhora de Nazaré, me desculpem, mas não pude resistir! huahuahuauhahua










terça-feira, 20 de outubro de 2009

Onze dias

Uma bola rolava no chão quando o grito ecoou numa sala distante e para a criança que brincava tudo era música que não se compreendia. Na sala, a calmaria distante do aconchego acalenta o sono de uma fita de cores ainda não refletida, amarrada em passos tão curtos que separam uma vida inteira e se esticam na ironia da gargalhada asmática nas escadas.
E para cima todo passo cansa e todo o tempo urge, e assim que tudo correu num piscar que inevitavelmente derrete o sorvete mas não traz o choro.
Lá longe tudo era mais próximo, e diante da multidão quatro dividiam-se em dois movimentos ao observar de cima a dança do caminhar da noite, as muitas voltas que o mundo insiste em dar para um céu tão claro de uma manhã azul, o céu que se move arredio ao farfalhar da rabiola que se perde pelo mar que molha os pés alvos e estreitos sentados na praia.
De lá, uma pedra rolou e a outra ficou, e o tempo corroeu as duas com o vento e movimento. E nos toques de trombetas que ecoaram então são descritos os onze dias que foram e passaram para chegar.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Fim do show

Atrás do palco as luzes se apagam. Os olhos ofuscados adaptam-se novamente aos reflexos da vida que passam lentamente projetados na cortina fechada.
Atrás do palco o sorriso se perde no eco das gargalhadas abafadas da multidão que se dissipa sem importar-se com quem fica.
Atrás do palco toda a graça se perde, e cada gesto delicado transforma-se lentamente num real lampejo da brutalidade dos movimentos.
Atrás do palco toda lágrima seca, e lá não há gentilezas que façam valer a pena todo o caminho de um ombro de consolo.
Atrás do palco todas as personagens morrem e suas lutas e aspirações escorrem pelo ralo das águas descartáveis da incredulidade.
Atrás do palco os ombros caem e toda a dúvida cresce no compasso dos passos amargurados dos sem destino, sem porto seguro.
Atrás do palco a cabeça se abaixa por não ter o que encarar no vazio do silêncio escuro.

Toma-lhe-te!

"Chuck Norris" belga "muquia" comediante em pegadinha!


Outubro

Era dia de achar mais nada, de ver que não tinha passado, que não era real e futuro muito menos teria, apagando as luzes como quem cerra lentamente os olhos fingindo adormecer. Era hora de virar para o lado e pelo canto do olho ver que partia sem dores e não entender o que achava ser.
Era um mundo que tinha criado e uma história em frangalhos no labirinto da sua imaginação. Uma conversa relapsa, um abraço frouxo, uma reação comedida quando nem mesmo saber dizer se era um querer.
E as rosas vermelhas acizentaram toda a pele em que tocaram para que depois fossem esquecidas num canto.
E o sorriso inventado fingiu lá ficar por muito tempo depois, e tocou o ar quente da noite sem movimento.
E a memória era falha, o caminho de escadas, o chão se fez turvo e o teto desabou no ambiente de vidro.
Aquilo tudo mexeu como um vendaval destrói um delicado penteado e as pedras nada preciosas desprenderam-se do cabelo e quebraram no chão.
Era a hora marcada, o momento esperado, o instante que era para ser o que não foi. E o futuro mudou, o som abaixou, a festa acabou e retorno não sei se há.