quarta-feira, 5 de maio de 2010

Bibelô

Há um tempo tinha visto na prateleira da vitrine um bibelô. Mas aquela rua logo tornou-se distante de sua caminhada e a velha loja por muitas luas ficou esquecida.

Eis que então as folhas começaram a nascer nas árvores e, com elas, o vento passou a ser como baquetas de um xilofone de jacarandá. Os sentidos foram, como de costume, mais uma vez invertidos e a rua, de novo, fez parte do mapa.

Todos os dias, quando passava, aquele objeto de tamanha comunhão de feiúra e delicadeza tomava alguns minutos de sua atenção e aquilo claramente não tinha nexo algum. Suas cores fracas criavam raízes na rudeza de sua base e a alegria da fisionomia iluminava um mundo inteiro.

Foram tantos os ensaios, foram tantas as vezes que entrou e apontou para outra coisa qualquer exposta naquela vitrine, tudo sob o pretexto de ficar perto daquele curioso bibelô.

Um dia, com a determinação de uma estrela de cinema, tateou a prateleira para finalmente tomar para si o que tanto havia desejado. Como num drama, não estava mais lá.

O silêncio até a casa só foi quebrado pelos suspiros de melancolia, o arrependimento da espera borbulhava em seu sangue. E o céu naquela noite foi escuro e o sono sem sonhos.

Dias depois, uma caixinha e uma perfumada flor amarela jaziam em sua porta. Com elas, um bilhete: "indescritível, como você".

O bibelô então voltou para a caixa e lá ficou para sempre, trancado no armário.

3 comentários:

Cristina disse...

Oi Gabi!
Que bom que o flores de Agosto retornou!
Sabes que sou sua fã...
incondicional..........
Bjssss
Cris Monice

Gabriella Florenzano disse...

Tia Cris! É sempre um prazer enorme tê-la por aqui! Saiba que as suas palavras SEMPRE me trazem muita alegria, de verdade MESMO! :)
Um beijo enorme!!!!!!!!

Mah Jardim disse...

Ai, que bom que estais de volta =D