terça-feira, 25 de agosto de 2009

Agosto


Prendeu a respiração e contou até dez. Aquilo o que não sabia era tudo o que acreditava, e nada poderia fazer. O frio do quarto congelou seus movimentos e cada veia latejante machucava seu braço numa espécie de penalidade por seu travamento. Tentou andar. Não pôde. Com muito esforço, sentou na cama e contemplou a parede, aquela mesma parede marcada do ano que cheguara alí, com idéias, sem noções.

E lá projetou os momentos fotografados pela memória, na bizarra falta de propósito que o tempo dá às coisas. Sentiu conforto, sentiu saudade, sentiu como se tudo aquilo não fizesse mais parte do mundo real, e sua vida transformou-se numa invencionice profunda. Até que viu a última foto.

Pela janela vieram os gritos da cidade e sem cueldade a acodaram do transe em que estava. E foi então que conseguiu aceitar, e chorou longamente por isso. Mas as lágrimas secaram e o horizonte ficou estranho, e seus braços foram se soltando para apoiar o pescoço relaxado. O futuro havia mudado mais uma vez.

Esperou por horas ser corrigida, desejou firmemente estar enganada. Suplicou ao céu as dádivas da lentidão e ignorância. Mas foi em vão, as placas da rua estavam muito longe para serem lidas.

Quando o telefone tocou, quando o messenger apitou, era tarde demais. Já estava longe, com sua roupa de domingo, conversando alto e dando gargalhadas.

3 comentários:

Franssinete Florenzano disse...

Hoje é um dia tão lindo, tão especial e tão cheio de energia boa quanto você, minha filhinha amada! Até duas luas estarão no céu à noite, homenageando a data do nascimento da filha mais querida, mais bonita, mais talentosa, mais tudo! Te amo muito. Parabéns por mais um ano de tanto orgulho que você me dá. Feliz aniversário!

Mah disse...

o/
feliz aniversário!
(atrasado)

Gabriella Florenzano disse...

Obrigada, muito obrigada :D