sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Flores de Agosto


Havia, uma vez, um campo sem fim, com um céu também sem fim e borboletas que voavam até onde se podia ver. Havia um jardim de flores, mas agosto logo chegou e elas então murcharam.

Havia, por um tempo, uma luz de idéias, sonhos exagerados, sentimentos furtados e uma pitada de inocência. Havia, nesse tempo, coisa alguma que não pudesse atingir, sorriso algum que não pudesse surgir, uma infinidade de beijos sem razão de negar.

Havia, certo tempo, uma montanha de medalhas e uma cova de mortalhas, e nada do que fosse contidamente bom ou exageradamente infeliz era capaz de transpor esses obstáculos, mas o céu ficou frio... E toda a razão mudou seu ser.

E, no seu tempo, houve um redemoinho, e o campo tremeu, e as flores choraram. E a chuva de seus prantos salgaram o lago, e o som de seus soluços espantaram as borboletas.

Hoje as flores de agosto se foram e enfeitam coroas e túmulos dos que partiram para outros jardins. Um dia, porém, o vento há de fazer uma semente voltar e o campo de novo se enfeitará até o horizonte que não se pode ver.

4 comentários:

Shirlei disse...

Ouvindo Nina cantar feeling good, lembrei de você e visitei o blog. Este mês é o compleano do blog?

Gabriella Florenzano disse...

Quanta honra ser lembrada pela Nina!
O compleanno não é do blog, mas da blogueira, dia 27 :)

Mah disse...

Adorei o texto :)

Shirlei disse...

Ih, esqueci um "n" do compleanno... Rsrsrs. Ah, eu peguei o hábito de personificar o blog pelo editor. Mas, na verdade, queria perguntar se era o seu aniversário. Então, flores de agosto é autobiográfico. Bjs para ti e parabéns pela criatividade do texto.