quinta-feira, 7 de abril de 2011

A grama

Da beira da montanha sentia o ar que lhe faltava. Era mais uma daquelas bifurcações de estrada sem nenhum sorriso de gato para servir de guia. Lembrou das frases de alegria e dos momentos de agonia, mas nada era certo o bastante para chamar de sua. Decisão.


Momentos antes tinha beirado a loucura e pulado para a margem dos que enterram dores e amores. Mas ninguém chora a tristeza contida e ninguém ri a vida não sofrida, e trocou tudo o que tinha por aquele desespero.


As folhas já caíam de seus galhos como lágrimas que lutam em descer pelo rosto e o soluço dos ventos a jogaram onde seus pés doíam. E mesmo assim dançou, rodou por horas e mais horas até seu cabelo e o orvalho se unirem em um só.


Um sol.


Subiu por onde não deveria ir e pegou-se imaginando um futuro no qual era a boba, boba com o sorriso de orelha à orelha. E depois de todos aqueles dias que passaram, já lá de cima, do topo de tudo, pôde ver que a grama era, realmente, mais verde.

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